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Atari Jaguar 64 bits. A Fera Esquecida

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Ele prometia revolucionar e deixar os concorrentes da época obsoletos, com um marketing quase fantasioso, um público sedento por novidades e um mercado de vídeo games borbulhante o Jaguar nascia e pedia para você fazer as contas para ver quem era superior!


1991 A Atari e suas feras.

A década de 90 foi muito rica para os gamers, mesmo parecendo estar tão distante, a abordagem das fabricantes era muito agressiva e nesse momento, Sega e Nintendo travaram uma briga que seria a época de ouro dos Vídeo Games para muitos.


A Sega dava as cartas com o seu Mega Drive, sucesso absoluto nos Estados Unidos, e internamente já se discutia a ideia de inserir uma unidade de CD, já para se manter no topo diante do que a Nintendo planejava para o mercado.


A Nintendo por sua vez estava preparando o lançamento do sucessor do aclamado Nes nas Américas, e também já discutia com a gigante japonesa Sony, sobre o mesmo adendo de tecnologia para o Super Nintendo, mas como sabemos, essa ideia não vingou e virou uma outra história.


Vale a menção do Turbo Grafix 16, que nessa época ainda era distribuído, e chegou a ter um distante 2° lugar atrás do Mega Drive, mas isso não se sustentou durante muito tempo, e com a chegada avassaladora dos consoles mais novos da 5° geração, o Turbo Grafix acabou ficando para trás na corrida.


Nessa onda de rumores, negociações e tecnologia uma empresa inesperada anunciou em 1991 que estava trabalhando em um novo console para rivalizar com os consoles da 5° geração, mas com um diferencial, ele era 32bits, a Atari lançava suas cartas no Phanter.


Supostamente a Atari iria rivalizar com os consoles da Nintendo e Sega, mas também já se preparava para os supostos upgrades que já estavam em discussão, como também já se preparava para consoles como o NEO Geo CD, que a SNK já pensava em lançar, o que se concretizaria em breve.


Mas a Atari não tinha revelado tudo, e após a CES de 1991 o projeto Phanter seria abandonado e então nascia o Jaguar, o 1° console 64 bits da história, e isso séria o principal argumento na propaganda da Atari.


Na verdade, não é que o Phanter tinha sido abandonado, o real é que o Jaguar foi desenvolvido praticamente junto ao Phanter, e com a política agressiva das outras fabricantes o Jaguar se mostrou uma proposta melhor e mais moderna, já que esse seria o 1° sistema 64 bits no mercado, e o sistema mais próximo em desenvolvimento era 32 bits (Sega).


Jaguar o Primeiro 64 bits.


A Atari veio para ser líder, o Jaguar possuía um Hardware extremamente respeitoso no que se diz a números, abaixo confira as especificações técnicas:



Processadores

  • “Tom” Chip, 26.59 MHz GPU – 32bits arquitetura RISC, 4 KB de chache interno.
  • Processador de objetos arquitetura de 64-bits RISC; programável. Processador auxiliar – arquitetura de 64-bits RISC; operações lógicas de alta velocidade, Z-buffer e Gouraud shading, com registradores internos de 64-bits .
  • DRAM controlador, 32bits de gerenciamento de memória.
  • “Jerry” Chip, 26.59 MHz. Processador de Sinal Digital – arquitetura de 32bits RISC, 8 KB de cache interno.
  • Mesmo RISC núcleo do GPU, mas não limitado à produção gráfica.
  • Qualidade de som de CD (16-bits stereo) Número de nove canais limitado por software. Dois DACs (stereo) convertem os sinais digitais para sinais analógicos. Todas capacidades do Som Stereo.
  • Sample-based synthesis FM synthesis, FM Sample synthesis, e AM synthesis.
  • Relógio de controle de blocos, incorpota timers, e UART.
  • Controle de Joypad. Motorola Motorola 68000 “usado como controlador.”[12]. Propósito principal 16/32bits processador de controle, 13.295 MHz
  • RAM: 2 MB em um bus de 64-bits usando 4 RAM de 16-bits .
  • Armazenamento: Cartucho – de até 6 MB.
  • Suporte à entrada/saída do ComLynx

Com essas configurações únicas o Jaguar foi lançado junto com o slogan: “Do the Math”, anunciava sua superioridade e um marketing extremamente agressivo diante dos outros concorrentes de 16 e 32 bits, nem o badaladíssimo 3DO, que abordaremos em um futuro próximo foi cogitado como ameaça pela Atari.


O início.



Um dos anúncios mais incríveis do Jaguar foi o seu preço sugerido para o lançamento, incríveis 150 dólares, algo realmente notável para um console de 64-bits , e isso para um lançamento simultâneo mundialmente! Tudo prometido para 1993.


Enfim o dia do Jaguar 64 chegou, e aí começamos a ver que nem tudo sairia como prometido, aliás quase nada sairia como prometido. O lançamento em 1993 se restringiu a apenas New York e San Francisco nos Estados Unidos, o que causou uma péssima impressão.


O preço não foi nem próximo do prometido, pelo contrário, foi exorbitante, 249,99 dólares. E o que a Atari também não esperava, apesar de ter sido lançado para concorrer com Super Nintendo e Mega Drive, acabou fazendo parte da 5°geração de consoles, tendo de lutar contra 3DO, Sega Saturn e Playstation, o que o Jaguar nunca poderia fazer.


A ousar do preço em 1994 o Jaguar foi lançado em 1994 e até conseguiu uma boa reação dos Gamers mais entusiastas, com sua promessa de ser 64 bits, mas na data mais importante para vendas naquele ano ficou claro que o Jaguar não ia ter vida fácil.


A Sega já havia anunciado o Sega Saturn, o Jaguar com um preço elevado e com títulos de pouca expressão para uma campanha tão agressiva de marketing, acabou fazendo o Jaguar vender muito pouco até aquele Natal, não mudaria nada durante aquele período tão importante.


Durante todo o ano de 1995 nada mudou para melhor, inclusive só piorou. Sega Saturn e Playstation já tinham sua imagem no mercado e o Jaguar, mesmo com 1 ano de vantagem não mostrou qualidade e fôlego de mudança. Com qualidade superior e um público desacreditado nas promessas da Atari, e a ideia cada vez mais fixa de que o futuro era o CD rom, o público escolhia os novos consoles deixando o Jaguar a beira do abismo.


Mas mesmo com um cenário tão desfavorável a Atari ainda jogaria suas últimas cartas, o que faria do Jaguar o último console de uma empresa Americana durante um bom tempo já que o fracasso seria marcante.


Controle, um caso a parte.


O controle do Jaguar era um caso a parte e chamava a atenção por ser algo totalmente fora dos padrões existentes no mercado, mas pra que teve a oportunidade de usar ele, sabe que ele não é tão ruim quanto parece.


A maior distinção do controle em comparação aos outros, e o teclado alfa numérico, que seria para por exemplo selecionar armas de maneira rápida, abrir menus ou escolher músicas caso esteja usando o Jaguar CD.


Joguei muito o Jaguar na casa de um amigo, e pelo que me lembro o controle era bem leve, com um conforto bem maior nos botões do que Super Nintendo e Mega Drive, os botões não tinha aquele fundo “seco”, era muito macio.


Jaguar CD.



A Atari adiou por muito tempo o acessório, mas com o sucesso dos rivais, essa era a única maneira de dar sobre vida ao Jaguar, mas novamente a Atari comete erros e nem tudo novamente sai como prometido.


O periférico permitia ao Jaguar utilizar CD Rom, e foi lançado em 1995 ao preço de 149 dólares. O dispositivo é conectado no Slot de Cartucho, na parte superior do Jaguar, e tinha um túnel de encaixe, evitando desconectar acidentalmente o aparelho.


O Jaguar CD também tinha um Slot para conectar os cartuchos do Jaguar, sem remover a unidade de CD-ROM. A

unidade de CD-ROM do Jaguar CD é um drive de duas velocidades (2x) com um software, o VLM que proporciona um show de luzes no vídeo, quando um CD de áudio é executado no Jaguar CD, era explorado comercialmente na venda do Jaguar CD..


Junto com o console, acompanhavam: dois jogos (Blue Lightning e Vid Grid); um CD de áudio com a trilha sonora do jogo Tempest 2000 e um CD de demonstração do jogo Myst. Também, a tela de início do Jaguar CD era diferente da tela de início do Jaguar. Usando o VLM, uma tela diferente em cada exibição e com muitas luzes era mostrada toda vez que o console era ligado. Posteriormente a tela ficava em silêncio.


Apesar do periférico ter boa receptividade vendendo as 20.000 cópias produzidas rapidamente, a Atari passou a ter dois problemas.


Os jogos do Jaguar CD poderiam utilizar 790MB de dados, capacidade considerada maior aos CD-ROM convencionais. Enquanto permitia maior capacidade de dados e inibia a pirataria, o formato também ocasionava erro de dados.


O drive foi construído pela Atari e pela Philips nos Estados Unidos, comenta-se que a Atari algumas semanas depois vendeu todas unidades e solicitou o desenvolvimento de mais unidades. Então, como um processo judicial da JT Storage foi aberto alguns meses depois contra a Atari, possivelmente, 20 mil drives de CD-ROM do Jaguar CD foram produzidas. O último jogo do Jaguar CD lançado oficialmente foi Gorf em 1995.


O Fim do Jaguar.


Ao final de 1995 fica claro que não há maneiras para a Atari competir com o Sega Saturn e com o Playstation, que já era aclamado e empurrava todo o resto para as trincheiras do segundo lugar.


Mesmo assim, com um console apenas para apaixonados, a Atari afirmou manter suporte para o Jaguar, e para isso ela se fundiu com JTS, fabricante de hardware. No início de 1996, eles lançaram o último título de Jaguar, Fight For Life, e quase todos os demais funcionários da Atari foram demitidos.


Alguns produtores como a Telegames ainda continuaram a produzir games mesmo com o console descontinuado, títulos como:


  • Breakout 2000,
  • Towers II,
  • Worms
  • Zero 5
  • Iron Soldier II
  • World Tour Racing

No Reino Unido, em 2001, um acordo foi firmado entre Telegames e a Atari para trazer o Jaguar para as lojas de varejo vendendo o que havia sobrado no estoque.  O console saia por £29,99 e os jogos por £9,99.


O console teve presença nas lojas até 2007, quando os restantes que haviam sobrado no estoque foram vendidos por míseros £9,99, assim como seus jogos, vendidos por um preço tão baixo quanto 97 centavos de Libra.


O acordo foi visto como uma maneira para a Atari se manter competitiva com a rival dos games naquele momento, a Gamestation , que era conhecida por abastecer o formato retro nas lojas, com alguns consoles mais antigos.


Ainda existe desenvolvimento de jogos para o Jaguar. Há também dezenas de títulos que nunca foram vistos e ainda têm a possibilidade de serem lançados por fãs que mantém a chama viva….


Jogos em Destaque.


Aqui alguns dos melhores jogos para Jaguar 64, segundo a mídia especializada, esses jogos até hoje são cultuados e fazem com que o console da Atari ainda seja lembrado. O catalogo do Jaguar contem ainda mais alguns bons jogos, sendo assim sempre de uma fuçada em busca de algo, com certeza terá algo que você gosta.


Wolfenstein 3D


Jogo conhecido pela maior parte dos Gamers, chegou no Jaguar em 1994 e veio com ótima qualidade, já trazendo as referências da versão de PC que tinha sido um sucesso.


O jogo é muito bonito, e é notável que foi feito com capricho pela ID Software, tudo que fez da série um sucesso está aqui, passagens secretas, boa música e principalmente intensidade. Único ponto negativo fica a cargo do joystick do Jaguar que é meio desajeitado para esse tipo de jogo.


Lembrando que na época, mesmo com um cabo RF jurássico, o game rodava a incríveis 60 fps. É amigo, surpreenda-se.


Tempest 2000


O jogo foi um sucesso absoluto no Jaguar, o jogo era o diferencial do console e apresentava algo realmente inovador justificando a compra do console.


Trata-se de um jogo de tiro onde o jogador controla uma pequena nave presa a uma superfície específica (que pode ter os mais variados formatos). Parece simples, mas o ritmo do game é alucinante. Os inimigos aparecem cada vez em maior quantidade e para combatê-los, surgem power-ups para melhorar o tiro, possibilitar pulos ou descargas elétricas.



Os controles funcionam muito bem e ficaram muito agradáveis no joystick. O som é um caso á parte, algo realmente fantástico, uma trilha techno de primeira.


Ultra Vortek


Um dos melhores jogos de luta da época tinha personagens digitalizados, tinha finalizações imitando MK, fases com animações etc.


O jogo apesar de não ser um primor era divertido, pois tinha uma jogabilidade agradável, e uma aprendizagem rápida. Parece ruim, mas na época era um dos mais modernos.


NBA Jam Tournament Edition.


Aqui quem é gamer das antigas ou gosta de jogo bom independente da época e console conhece. Imagens digitalizadas, boa música, gráficos vivos essa era uma versão que apelava para compra do Jaguar.


Versão muito superior graficamente a Super Nintendo e Mega Drive, era o mais próximo do Arcade que vc poderia chegar sem sair da sua sala.


Doom


Clássico que esteve em tudo que era console não ficaria fora do 64-bits da Atari.


Uma versão mediana já que o fato da ausência de música pesava muito, mesmo assim está tudo lá, se você curte Doom, vai gostar muito dessa versão, mesmo o joystick do Jaguar não ajudando.



Uma curiosidade, a versão de Jaguar foi a única na época a todas com a tela completa, 3DO e Super Nintendo rodaram no formato janela, cortando as laterais do jogo.


Flashback


Aqui tenho de dizer: Eis um jogo que me faz pensar em desembolsar quase 2. 000 temers por um Jaguar (esperem pra ver.).



Flashback foi um jogo para vários consoles com relativo sucesso, inclusive até hoje se comenta sobre um remake. O jogo é um Adventure clássico recheado de gráficos coloridos que ficaram muito bonitos no Jaguar.


Alien Vs Predador


Outra pérola do Jaguar, um ótimo jogo. O console da Atari estrearam a franquia com um jogo impecável.


Jogo em 1°pessoa tinha ótimos gráficos em 2D que ficaram muito bons, mostrando a qualidade gráfica do Jaguar. O jogo é considerado por muitos como um dos 3 melhores do console.


Considerações Finais.

Então é isso amigos, pessoalmente como colecionador moderado, adoraria ter o console na minha humilde coleção. Caso você tenha interesse ainda é possível encontrar o console com preços entre 700 e 2000 temers.

Caso seja muita grana (o que realmente é) tente jogar o console de outra maneira, ou até mesmo veja alguns gameplays, tenho certeza que o Gamers mais atento vai ver as qualidades do console.

Espero que tenham gostado da matéria, e que essa história maravilhosa do Jaguar fique na memória de vocês assim como está na minha.


Abraços e até a próxima.

Gamer hardcore desde 1991, gosta de todos os gêneros de games e tudo relacionado a games. Pai do Felipe, Marido e Headbanger.